Fico de frente para o espelho e olho-me. Olho-me como quem está em busca de respostas, de um caminho que possa seguir sem me arrepender, como quem está em busca de alguém, alguém que aqui não está. Estaria mentindo se dissesse que você não é nada, que você não foi nada, além do cara que olhou para mim e, como se não fosse nada, disse: “Hey, querida, anjo dos meus pesadelos, eu vou ferrar sua vida”. Mas não, você não foi só isso.
Como em um filme, a lente da câmera segue, por entre meus olhos, como um flash back, e eu penso: “Oh, querido, nós poderíamos seguir sem ter que parar aqui”. Agora imaginem aquela cena de filme onde o vidro se quebra – feito meu coração – ao sentir as vibrações da minha voz quando eu gritar “é, mas você ferrou tudo”. Eu te daria tudo, eu faria o possível para te ver feliz, melhor ainda seria ser o motivo do seu sorriso, mas você ferrou tudo.
Livro-me de um vício – que é você – e adquiro outro que está na minha mão esquerda. Sim, um cigarro. Trago-o mais uma vez e relaxo. Oh, a quem estou enganando? Desde quando eu fumo? Não suporto nem o cheiro. Mas isso não importa agora. A energia acabou. A pouca luz que restou está prestes a acabar e antes que eu fique apenas com a chuva e os trovões, irei te dizer algumas coisas presas em minha garganta.
Hey, querido, você teve sua chance. Aliás, quantas foram às chances? Duas, três ou mais? Duas, acredito. É como se você estivesse escrito uma linda letra, mas a hora de criar a melodia não ter usado as notas certas. E foi isso que aconteceu. Você vacilou e sem mais lamentações: VOCÊ PERDEU! E eu? Eu abri os olhos, eu decidi não esperar a vida toda para ver você se consertar. Bem que diziam que “pau que nasce torto nunca se endireita”, ou algo assim. E, além de tudo, parei de chorar por você.
Adeus, anjo de asas negras.
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