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TALVEZ CRIAREMOS ASAS.

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          O dia amanhecera chuvoso, mas logo o Sol surgiu e, numa manhã de domingo, o calor tomou conta de todos que ali se encontravam. Como era de costume, aos domingos um grupo de jovens loucos se reuniam para fazer loucuras. Óbvio! Afinal, são todos um bando de loucos de faixa etária entre 19 e 24 anos. Havia pseudo fotógrafos, escritores, pintores, músicos. Eram pessoa que utilizavam a arte como meio de expressão, e a natureza como inspiração. Faziam arte pela arte, e não por dinheiro. Faziam porque gostavam.
          E, em meio a tantos jovens diferentes, era impossível não notar aquela garota de biquíni preto tomara-que-caia, sentada numa pedra no alto da cachoeira, balançando os pés enquanto a água os molhavam. Era impossível não percebê-la, do mesmo modo que ela logo percebera o estranho do outro lado da cachoeira. Ela sabia que ele a olhava desde o momento que ela chegara. Por um momento ela o olhou, ele a olhou, e ambos se olharam por um bom tempo. Dez segundos foram o suficiente para perceber que seus olhos eram azuis, e os dela tão negros, de uma cor que jamais havia visto. Seus olhos azuis combinavam com seus cabelos loiros, e ele logo se apaixonara pelo cabelo dread. 
        De repente ambos sentiram uma enorme vontade de se apresentarem. - Olá. Eu sou a Sam. E você? O que está tocando? - perguntaria ela, caso arrumasse coragem. - Luz dos Olhos, conhece? A propósito, meu nome é Luke. - ela faria que sim com a cabeça e ele diria que era ela para quem cantava. Eles começariam uma longa conversa. Ela contaria sobre seus livros favoritos e sobre a ideia de um livro que nem sequer começara. Ele falaria sobre seus cantores favoritos, sobre a música que acabara de compor enquanto a observava do alto da cachoeira. Eles falariam... e, no fim, ele a deixaria na porta de casa, soltaria lentamente a sua mão - com receio de nunca mais pegá-la - e beijaria a sua boca, ambos dariam um sorriso e o dele, como sempre, encantador. Ela iria para a cama, sorridente, esperando vê-lo no dia seguinte, batendo em sua porta. Ele olharia para o teto de seu quarto, perguntando-se se devia ir novamente no dia seguinte e roubar um beijo. Porém, eles apenas se olharam.
          Quando voltou a si, percebera que todos estavam se divertindo e se perguntava o porquê se encontrava ali, sentada na pedra. Alguns conversavam, outros tocavam e ouviam músicas, e o restante mergulhava, pulando do alto da cachoeira. Foi então que ela lembou-se do motivo. Estava, apenas, arrumando coragem para pular. "Vamos, Sam. Já passou a sua vez de pular", gritava seu amigo. Levantou-se, respirou fundo e olhou para baixo. Não para baixo da pedra onde se encontrava a cachoeira, mas sim para o estranho. Ele não estava lá. Logo, em sua mão outros dedos preenchiam os espaços vazios. Era ele, com um sorriso encantador de cafajeste romântico. Foi então que ele disse:
- Se pularmos juntos, talvez criaremos asas. 
             E pularam. 

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5 comentários

  1. Eu realmente gostei desse conto! Que perfeito! Você tem muito talento Mony!! Parabéns!! Sério mesmo! Amei mesmo! Continue escrevendo assim! Quero ler mais!
    Beijos!
    Misael
    devoradoresde-livros.blogspot.com

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  2. Um conto muito bom, me fez ter saudades de quando eu escrevia. Me peguei imaginando os acontecimentos e gostei da forma como emprega as palavras.

    Beijos,
    Larissa

    - Vitamina de Pimenta -

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Larissa. Se sente saudades, deveria voltar a escrever. Adoraria ler seus textos.

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  3. Muito bom o conto. Adorei a forma como você terminou ele.

    Blog Prefácio

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  4. "Faziam arte pela arte, e não por dinheiro... Se pularmos juntos, talvez criaremos asas. " Nossa ameiii o conto, parabéns espero ler mais e mais rsrs.
    Ja estou seguindo se puder e gostar é claro segue la bjss
    http://golivercacau.blogspot.com.br

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