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Quando Você Voltar (Parte II)
Melanie
Meu corpo todo tremeu quando percebi que haviam dois homens atrás de mim. Acelerei meus passos em direção ao carro, ao mesmo tempo que os dois estranhos aumentavam os seus de acordo com os meus. Meu coração parecia que ia explodir de tão forte e rápido e batia. Pobre Marie! Estava tão assustada nos meus braços e não sabia o motivo de sentir tal pânico. Os homens já não se preocupavam em disfarçar que nos perseguiam. Quando faltava apenas um metro para entrar no carro, um terceiro homem apareceu. Nesse momento a esperança parecia areia escorregando por entre meus dedos. O terceiro homem - o único com o rosto mascarado - pegou Marie de meus braços e a entregou aos outros dois homens, enquanto ele me levou em outro carro. Ele usava a máscara do Jason - o que era curioso - e isso fez com que Marie chorasse ainda mais de medo. E em meio a tanto desespero, eu apenas me perguntava o que iam fazer com minha filha e o motivo pelo qual nos perseguiam.
- Chefe, temos mesmo que levar essa pirralha chorona? Não abandonei meus filhos para agora ter que aguentar isso. - reclamou, pelo celular, um de seus homens - o ruivo - que estava no outro carro.
- Cale-se, Daniel. Poderá jogá-la na primeira lixeira que vir. - disse o homem mascarado que me fazia de prisioneira na mala de meu próprio carro.Tudo estava ficando cada vez mais confuso. Minha cabeça girava e girava sem parar. Não conseguia ouvir nada direito e não tinha forças para gritar, muito menos para me defender. Mas eu teria que impedi-los. Não poderia deixar que eles fizessem algo com minha filha. Ela é apenas uma garotinha que não sabia como se defender. E eu... Eu estava desmaiando. Droga de soro que injetaram-me. Quando acordei já estava aos prantos em um quarto escuro, perguntando-me onde estaria Marie. O quarto, além de escuro, era vazio e solitário. Gritei. Gritei bem alto. E quando não aguentava mais, gritei bem mais alto, até que ele apareceu, trazendo com ele outra mulher, largando-a no chão sem nenhum cuidado.
- Cadê minha filha? Quem é você? O que você quer com a gente? - eram inúmeras perguntas a se fazer.
- Moças, esqueçam seus filhos, seus maridos. Aprendam: esse lugar agora é o lar de vocês. Ah, só mais um aviso: eu se ouvir mais uma vez uma de vocês gritarem, eu volto e corto a língua de vocês.Em seguida ele fechara a porta. Acredito que todos que estavam na casa ouviram o bater dela. Em meio ao pânico que eu sentia, por um momento tive a impressão de que o conhecia, mas essa ideia parecia impossível. Como eu poderia conhecer um homem desse? Tudo que eu desejei naquele momento foi no Enzo. Sonhava em vê-lo entrar por aquela porta, com Marie em seus braços. Eu correria para abraça-lo e em seguida diria que o amava. Que ainda - depois de oito anos - eu o amava. E eu quis dizer isso logo cedo quando o encontrei na livraria. Ele estava na minha frente, sem me reconhecer, escolhendo um livro para comprar. Ele dirigiu-se à moça para pagá-lo, mas antes esbarrou em Marie que estava ouvindo música. Começaram um assunto, até que eu os interrompi e ele me reconheceu.
- Nossa, é você mesmo? - perguntara ele - Não acredito que está na minha frente depois de tantos anos. Continua linda, como sempre foi. Imagino que esteja casada. Aliás, filha linda a de vocês.Naquele momento quase saiu por entre meus lábios a vontade de dizer: "é, realmente é linda. E a propósito, é a nossa filha seu cafajeste-filho-de-uma-mãe", mas apenas me calei e agradeci. Olhei o dedo dele, ao mesmo tempo que ele olhou o meu. Vi a expressão dele quando percebeu que eu não usava aliança, ao contrário dele que estava noivo. Enzo nos convidara para ir à sorveteria. Marie parecia gostar da ideia, então aceitei. Lá, estava prestes a falar o motivo pelo qual voltei ao Brasil, quando seu celular tocou. Era sua noiva.
- Oi, amor? Não, não irei voltar agora. Estou jantando com um amigo que há muito tempo não o via. - dissera ele.Tamanha a minha raiva, peguei minha bolsa e sai. Ele veio atrás e perguntou o motivo de tal raiva. Simplesmente despejei sobre ele toda a angustia que senti todos esses anos. A traição, a filha que tive que criar sozinha, o amor desperdiçado que tive que lidar, e tudo mais. Falei. Falei tudo, e senti um breve alívio. Ele ficou paralisado sem saber o que falar, nem sequer olhou para sua filha, apenas parou. Foi então que me dirigi ao estacionamento quando tudo aconteceu. Agora Enzo era minha única esperança. E o choro da mulher no canto do outro lado fez com que meus pensamentos fugissem. E a olhei e ela simplesmente suplicou:
- Eu não quero morrer!
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3 comentários
Oi Mony! Que bacana!!!! Gostei da história, parabéns!!! :)
ResponderExcluirVocê passou pelo meu blog, perguntando sobre a caixa de "últimas resenhas". Tentei mandar um e-mail pelo menu Contatos daqui, mas não consegui. Me envie um e-mail que te passo, é grande para colocar aqui nos comentários... nadjamoreno@gmail.com
Beijos!!
Nadja Moreno – Blog Escrev'Arte
Nossa Mony surpreendeu ameiiii imaginei cada cena, parabens
ResponderExcluirQuero mais e mais rsrs... bjs
http://golivercacau.blogspot.com.br
Oi Monyy!
ResponderExcluirAcho que não entendi a historia toda, por não ter lido a pt 1! vou me corrigir já!
Mas achei super bem escrito! Parabéns!
um beeijo Lara
http://meusmundosnomundo.blogspot.com.br/